Notícia in Exame.com,
05 Out 2016

Nobel da Química distingue desenvolvimento das máquinas moleculares.

O prémio Nobel da Química 2016 foi hoje atribuído a Jean-Pierre Sauvage, J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa pela "conceção de equipamentos de síntese molecular".

Os três galardoados pela Real Academia Sueca das Ciências desenvolveram "as máquinas mais pequenas do mundo", considerando que, ao miniaturizarem a tecnologia, elevaram a Química "a uma nova dimensão".

O francês Jean-Pierre Sauvage, o britânico Fraser Stoddart e o holandês Bernard Feringa ganharam nesta quarta-feira o Nobel de Química pelo desenvolvimento de pequenas máquinas em nível molecular.

Acredita-se que as pesquisas do trio devem levar ao desenvolvimento de novos materiais e minúsculos sensores.

O prémio foi dado pelo "design e síntese" de moléculas com movimentos controláveis, que podem realizar uma tarefa quando elas recebem energia, disse a Academia Real Sueca de Ciências.

"Este prémio é sobre as menores máquinas do mundo", disse o secretário-geral da entidade, Göran K. Hansson. Embora o desenvolvimento das máquinas moleculares esteja ainda em estágio inicial, elas poderão ser usadas para gerar sensores, sistemas de armazenamento de energia e novos materiais capazes de se adaptar a uma mudança em seu ambiente e de assumir certas funções corporais.

As máquinas moleculares "provavelmente se utilizarão no desenvolvimento de coisas como novos materiais, sensores e sistemas de armazenamento de energia", disse a instituição ao anunciar o prémio.

Sauvage, de 71 anos, é professor emérito da Universidade de Estrasburgo e diretor de investigações emérito do Centro Nacional Francês de Investigação Científica. Stoffart, de 74 anos, é professor de Química na Universidade Noroeste em Evanston, Illinois, e Feringa, de 65 anos, leciona Química Orgânica na Universidade de Groningen, na Holanda.

As máquinas moleculares miniaturizadas podem levar a várias aplicações, disse Feringa, um dos premiados de hoje. "Nós acreditamos que os pequenos robôs que um médico injetará em nossas veias irão encontrar uma célula cancerígena", exemplificou o cientista a repórteres em Estocolmo, durante uma entrevista coletiva realizada por teleconferência.

A academia disse que o motor molecular pode ser comparado ao caso do motor elétrico no início do século XIX. Na época, cientistas mostravam várias manivelas e rodas com fios, "sem perceber que elas levariam aos trens elétricos, às máquinas de lavar, aos ventiladores e aos liquidificadores".

Sauvage conseguiu um primeiro avanço nesse campo em 1983, quando ligou entre si duas moléculas em forma de anel para formar uma cadeia, apontou a academia sueca. Depois, Stoddart deu o passo seguinte em 1991, ao ligarr um anel molecular a um eixo molecular, enquanto Feringa foi o primeiro a desenvolver um motor molecular em 1999, quando conseguiu que um rotor molecular girasse na mesma direção.

 


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